Refletindo sobre o ano que passou, percebi o quão diferente 2011 foi. Fui batizada, tive meu primeiro emprego. Foi bem difícil ser subestimada.. Levei umas porradas, mas tudo valeu a pena. Aprendi muito. E logo veio uma grande perda: minha avó. A mais dolorosa de todas. E como um efeito dominó, mais três perdas que me abalaram: o Henrique, ex-noivo de minha prima, minha tia-avó Clarice e um amigo querido: o José Carlos. Logo descobri minha mãe com diabetes indo a semana inteira ao Pronto Socorro umas 3 vezes ao dia, com a pressão alta, e os LITERALMENTE imbecis do hospital ainda deram "glicose" pra ela. Acho que esse ano eu percebi qual é meu ponto mais fraco, qual é meu maior defeito e meu maior medo. Eu fiquei bem traumatizada com qualquer coisa relacionada a hospital. Ao entrar no leito da minha avó e vê-la com os olhos brancos, sem vida, sem fôlego, em coma, a respiração ofegante e aquele pulo do nada, como se estivesse morrendo aos meus olhos, sem poder fazer nada... Isso me dói. Ela era gordinha, saudável. O câncer a invadiu como... não tem nem definição. A melhor pessoa que conheci, a mais meiga, doce, amável. E em coisa de dois meses tudo começou. As dores no útero, na hérnia. Foi afetando todos os lugares do corpo, a idade já não ajudava tanto. De 70kg ficou como criança pesando uns 30kg (não é exagero, foi assim). Eu me lembro de deitar em sua cama abraçada com minha mãe. Acho que foi a primeira vez que senti uma dor tão forte, tão viva e medonha. Foi a primeira vez que chorei repentinamente de soluços intermináveis, mais de uma hora. E provei do colo da mamãe, que tentava me acalmar e liberava lágrimas também (o que era raridade). Meu Deus, como isso me doeu. Chega a me faltar ar e dar batedeiras no coração de lembrar. E bastasse ter ficado assustada daquele jeito, vendo os olhos dela que expressavam tanta calmaria e pureza, ali... Mortos, brancos e mortos... Em coma. Foi então que minha mãe também emagreceu demasiadamente e em tão pouco tempo. Emagreci junto, de medo. Não comia, queria ficar grudada com ela e ter poder pra curá-la. Aquela fraqueza de uma mulher que assim como minha avó é muito, muito guerreira. Não há pessoa nesse mundo que admire mais do que minha mãe. E depois de tantas coisas ruins que estavam acontecendo, meu maior medo se manifestava: o de perdê-la. Foi aí que percebi o quanto minha fé aumentou.O quanto orar me fazia bem e jejuar também. Que Ele não me abandonou em nenhuma dessas ocasiões, que estava lá sempre. Vi a minha ingratidão, minha fraqueza. Apesar que me deu forças. Os problemas estavam somente aumentando e não tinha quem me amparasse... Aliás, com meus olhos. Porque Ele nunca desistiu de mim.
Mas esquecendo dos problemas e revivendo amores passageiros... Felicidade foi presente na maior parte. Conheci uma pessoa bem bacana, com altos papos sobre Augusto Cury. E como uma romântica barata, fantasiei. Males de Ana Carla Negro... Fantasiar as coisas que ainda nem aconteciam. Daí aconteceu. Mas como citado acima, passou. Bacana a compatibilidade e gosto musical, pessoa culta, não basta só isso. Ainda não era, precisava esperar. Não era. E quase em seguida, numa rajada de sorte depois da maré alta e destruidora... Caiu um anjo na minha vida. Nem tudo sendo flores, ele é de longe. Isso é apenas um detalhe, o sentimento que nos une é maior e verdadeiro o suficiente pra aguentar tudo. Entendi que para ter alguém do lado não é necessário ter os gostos iguais. O que seria do branco, se só gostassem do preto? Eles se unindo, a mistura dá cinza, e juntos dá contraste. Enfim... o negócio é que estou aprendendo e mudando em muitas coisas. Posso dizer que conheço a rodoviária de Campinas na palma das mãos e o Bob's enrolado de lá também; e mais uma vez vem essa louca e ambiciosa vontade de partir para São Paulo. De modificar o rumo da minha vida e ter menos pessoas se intrometendo nela. Tenho mais um motivo, e creio que não fui para faculdade ano passado porque não conheceria o Thi. Esse ano desejo ver meu Machadinho, estudá-lo e minhas regras de português, ô paixão que não largo! Só quero que outras coisas também se ajeitem e que possa ter um 2012 melhor, menos turbulento e aprender outras coisas (queria é claro que não fossem tão sofridas pra mim), mas isso é da vontade Dele, cá estou no aguardo do futuro, e SEM MEDO. Planos: começar a escrever meu livro, voltar a escrever contos e parar com citações "furadas". Ficar perto do Thi, ajudar meus pais e ser menos mal-educada com eles. Amadurecer, desisto de emagrecer. Não farei promessa de dietas nem tão pouco de estudar mais, afinal... Eu leio com frequência e é isso que gosto, pra quê colocar a matemática na minha vida? Estou extremamente ótima sem ela. Não deu Unicamp, não deu Usp? É porque não era pra ser. Não vou deixar de ser quem sou por uma faculdade. Não vou cair no papo de começar do zero... Vou tentar melhorar as coisas, como se fosse só uma virada de página na vida, e não apagar o que passou. Aumentar a lista de músicas, diminuir o negativismo. Manter a fé, SEMPRE. Viver e enfrentar as dificuldades confiando em Deus, que o resto é resto. Pra 2012 quero amar, ajudar, viver, sofrer, aprender, brincar, sorrir, comer. Conhecer pessoas, não esquecer as outras. E saber que tudo vai passar, que a vida é curta, e o que fica hoje, passa amanhã.

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